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abril 7, 2009

De volta à festa, Michael Jackson rolava na vitrola, embalando os passos moonwalker de um grupo de jovens. Procurei por Solange, mas não a encontrei. Passei por duas mulheres adultas que conversavam próximas à escada. Queixavam-se da modernidade, da liberação, da deturpação da moral e dos bons costumes. Punham a culpa na televisão.

“Novela das oito é um antro da imoralidade. Onde já viu propagar para o Brasil inteiro que as mulheres no Rio fazem topless na praia?”

“E o que dizer daquela Marta Suplicy falando abertamente de sexo no TV Mulher às nove horas da manhã?”

Solange e eu estávamos bastante chateados. Enquanto Solange sentia enjôos por causa daqueles que ela classificava como “burguesinhos metidos a besta”, iniciava-se para mim o importante capítulo da minha história pessoal que eu resolvi dar o título de “Triângulo Amoroso Bizarro”, inspirado naquela música do New Order. Enquanto eu desejava ardentemente o Hugo, acreditando estar apenas querendo recuperar a forte amizade que um dia nos uniu, eu era o alvo do desejo de Érika, que, por sua vez, já havia se tornado a obsessão sexual do meu ex-melhor amigo.

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abril 2, 2009

Bethânia morava em uma casa na Asa Sul. Naquele último sábado do mês de abril, dia 28, tia Suzana abriu as portas de sua residência para comemorar o aniversário de dezoito anos de sua filha. Quando Isabela e eu chegamos – mamãe não foi, porque papai estava viajando e ela não saía de casa à noite sem ele! -, já haviam uns trinta jovens espalhados pela casa, conversando ou servindo-se de comida. Muitos eram alunos do terceiro ano do Colégio Duque de Caxias, mas havia gente da academia de dança e também pessoas mais velhas, amigos de tia Suzana, que fazia questão de receber os convidados ao lado de Bethânia. No som, tocava Whisky a go go, sucesso do Roupa Nova na época, embalando os jovens que dançavam animadamente na pista de dança improvisada.

Lembro como se fosse ontem: Bethânia estava linda e felicíssima com o fato de ter completado dezoito anos. Lembro também que Isabela disse que mal podia esperar pela hora de completar a maioridade também e tia Suzana falou que passava rápido. Ah, lembro também que tia Suzana lamentou muito a ausência de mamãe, sua prima-irmã tão querida.

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abril 2, 2009

Brasília, 23 de abril de 1984

Hoje tive uma briga feia com uma das minhas melhores amigas, a Beth. Estávamos na sala de aula, os alunos divididos em grupos para fazer um trabalho. Estávamos com o Gabriel, a Solange, e a esnobe da Érika, nova aluna da turma, em um círculo para fazer um trabalho sobre música da aula de literatura. Livros e cadernos estavam abertos e, na mesinha da Érika, havia um estojo de dois andares, cor de rosa, com imagens da Hello Kitty, que desencadeou toda a discussão. A Beth amou o estojo, perguntou onde a Érika havia comprado e ela, com aquele ar de superioridade, disse que seu pai havia trazido dos Estados Unidos. Para provocar, a Solange disse que a Beth poderia encontrar um igualzinho na Feira do Paraguai e iniciou a briga entre os países. De um lado, o Brasil, defendido com unhas e dentes pela Solange; do outro, os Estados Unidos, defendidos com estojos, jogos eletrônicos e McDonald´s pela Érika. Para apaziguar, resolvi intervir, chamando a atenção para o nosso trabalho. Já que o tema era música, sugeri que enfocássemos a nova tendência musical que vem surgindo no Brasil: o rock nacional, que está vindo com tudo e as letras estão trazendo muita mensagem legal para a juventude. Solange logo retrucou que música de atitude para ela é e sempre será a boa e velha MPB. Caetano, Gil, Gal, Chico, Maria Bethânia, essas coisas bregas que ela e o Gabriel adoram… Meu irmão argumentou que será difícil superar a turma da MPB, mas também bota fé nessa turma nova do rock, dizendo que o Cazuza é um verdadeiro poeta. Foi então que Érika entrou na discussão, dizendo que “brasileiro tem essa mania de achar que música foi feita para fazer protesto político”. Para ela, música tem que ter poesia, melodia, ritmo… e não mensagem. Até concordo com ela em certo ponto, mas também apoiei a resposta da Solange, que disse que “americano é mestre em lançar música com letra vazia”. Mas, ao contrário de mim, Solange é radicalmente contra a cultura que brasileiro tem de ouvir música estrangeira e achar lindo sem nem mesmo saber o que está cantando. Eu, que estudo inglês na Cultura Inglesa, entendo a letra e posso selecionar o que é bom e o que não é. Aí vem a Beth, dizendo que adora música internacional e começa a cantar a música do filme Flashdance, fazendo coro com a Érika. Essa, para piorar, me vira com a pior de suas colocações: “Por que não falar de samba? Afinal, é o maior produto nacional, não é?” Solange ficou furiosa e com razão. Garota esnobe! Como pode achar que a única música de qualidade que o Brasil sabe produzir é o samba? E isso porque, para os gringos, samba está relacionado ao carnaval e ao futebol…Como disse o Gabriel, mulata, cerveja, sol escaldante e Pelé… Mas o que me deixou com mais raiva foi constatar a forte amizade que estava nascendo entre a Beth e a Érika. Que ódio! Confesso que senti muito ciúme. Briguei mesmo com a Beth, acusei ela de estar me trocando pela Érika, de estar mudada, de não ser mais a mesma amiga de antes. Ela foi e revidou, alegando que eu estou mais próxima da Marisa que dela, que nós duas nos merecíamos porque éramos duas quadradas. Discutimos feio. No final, estávamos as duas rindo que nem bobas da palhaçada. Nos abraçamos e juramos amizade eterna.
 
Embora menos politizada que Solange, minha prima Bethânia também tinha bons e fortes motivos para abominar a ditadura. Primeiro porque era uma garota super liberal, moderna, bem a frente do seu tempo. Segundo porque a mãe – Suzana, prima-irmã da minha mãe, a quem Isabela e eu sempre chamamos de tia – era uma mulher nada conservadora, que já havia vencido vários preconceitos contra o fato de ser uma mulher independente, liberal e extremamente de vanguarda. Apesar do conservadorismo, da hipocrisia e do moralismo que regiam a sociedade na metade do século, não se casou, teve dois filhos em produção independente, fez duas faculdades – jornalismo e direito -, sustentava a família com seu próprio trabalho, engajou-se – mesmo que timidamente – na militância juvenil na década de 60, foi hippie na década de 70 e na década de 80, aos quarenta anos, agia como uma mulher jovem e solteira, saindo com os filhos para a diversão em boates e, muitas vezes, namorando homens bem mais jovens.

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março 31, 2009

Brasília, 18 de abril de 1984

Querido diário, Nem acredito no que aconteceu! Acabei de chegar do colégio, mamãe está lá na cozinha me gritando, mas eu não vou conseguir almoçar enquanto não passar para você a minha alegria. Marisa e eu estávamos saindo do colégio, comendo jujubas – que a Marisa acha que deveriam fabricar somente as vermelhas já que quase ninguém come as de limão e laranja – quando, do outro lado da rua, vimos o Fera atravessando em nossa direção. Estava usando uma camisa preta do Kiss, uma calça jeans rasgada e um tênis Montreal, de cabelão solto, fumando um cigarro. Veio todo sem graça, perguntando se nós éramos as garotas que estavam no seu show com o Horacinho e nos ofereceu carona para casa. Eu não quis aceitar, tive medo, mas a Marisa me convenceu. Afinal, que mal há em aceitar uma carona?No carro, enquanto Marisa falava o tempo todo, eu me mantive calada, totalmente envergonhada com os olhares dele. O som do carro estava ligado, tocava uma música do Barão Vermelho e a conversa girou em torno de rock nacional, que tá em alta, que tem muita coisa boa surgindo aqui mesmo em Brasília, como Os Paralamas do Sucesso, que lançaram o primeiro disco no ano passado, lançaram outro este ano e já estão nas paradas… Fera falou que curte o som deles, embora ache muito parecido com o The Police. Marisa falou que gosta do Kid Abelha e Os Abóboras Selvagens e que eu também adoro aquela música Como eu quero, chegou até a cantarolar aquele trecho que fala: “uhh… eu quero você, como eu quero…” Eu apenas sorri, tímida. Fera comentou sobre a Legião Urbana. Disse que o líder da banda, Renato, é um dos caras mais inteligentes que já conheceu, freqüenta o apartamento dele na 303 Sul, bate altos papos com ele. O som deles é bacana, em breve eles lançam o primeiro disco e Fera acredita que eles vão arrasar. O assunto rendeu tanto que, quando vimos, estávamos na porta da casa da Marisa. Eu quis descer lá também, seguir a pé, estava perto de casa, mas Fera retrucou que duas quadras aqui no Lago Norte são quilômetros. Seguimos então com o carro. O silêncio durou alguns segundos. Fera puxou papo, perguntando se eu estava lhe evitando. Disse que não achava legal aceitar carona de um cara que não conhecia direito, mas ele retrucou um “mas a gente se conhece, eu até cantei uma música para você antes mesmo de saber seu nome…” Eu não acreditava que ele tivesse cantado diretamente para mim, mas ele declarou que se encantou comigo desde o momento em que me viu lá de cima do palco. Disse que ele deveria dizer isso para todas, que estava na cara que ele era um tipo sedutor que atira para todos os lados. Pelo menos, essa é sua fama. Fera disse que as pessoas falam muita bobagem a seu respeito, mas não negou quando eu disse que ele era um cara rodeado de mulheres. “Sou um cara simpático, canto numa banda legal… Normal que as mulheres se interessem por mim. Mas eu não sou assim tão promíscuo…”, ele se defendeu. Toquei no assunto da Olívia e ele jurou que era apenas uma garota com quem estava ficando mais vezes, mas negou que estivesse namorando a irmã fútil do Horacinho. Quis saber o que ele queria comigo e ele me desarmou, dizendo que, primeiro, ver um sorriso no meu rosto lindo. Não resisti e sorri. Aí perguntei se é assim que ele seduz todas as garotas, aparecendo de repente no colégio onde elas estudam, fazendo parecer que foi uma coincidência e oferecendo carona para casa… Chegamos na minha casa e ele foi logo perguntando se poderia passar aqui à noite para me levar ao cinema. Disse que gostou de mim. Se eu dissesse não hoje, insistiria amanhã. Quem sabe um dia eu não me dava conta de que ele realmente está a fim de mim?Desci do carro e ele me acompanhou. Nos despedimos com um beijo no rosto. Antes de entrar, eu falei: “Semana que vem vai ter aniversário da minha prima, a Beth. Vou falar com o Horacinho pra te convidar”. Fera, então, me disse que no dia 21 será seu aniversário. Não vai ter festa, mas ele gostaria muito de comemorar comigo. Fiquei muito lisonjeada, mas acho que ele só falou isso para me seduzir. Acho melhor não arriscar.

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março 30, 2009

Como o meu pai havia constatado, o comício realizado em São Paulo em janeiro desencadeou mais e mais manifestações pelas eleições presidenciais diretas. Belém (16 de fevereiro, 60 mil pessoas), passeata no Rio de Janeiro, no mesmo dia, com 60 mil pessoas, passeata em Recife (17 de fevereiro, com 12 mil pessoas), Manaus (18 de fevereiro, 6 mil pessoas), caminhada em Capão da Canoa, Rio Grande do Sul (19 de fevereiro, 50 mil pessoas), Osasco (19 de fevereiro, 25 mil pessoas), Rio Branco (19 de fevereiro, 7 mil pessoas), Cuiabá (20 de fevereiro, 15 mil pessoas), Belo Horizonte (24 de fevereiro, 300 mil pessoas), São Paulo (26 de fevereiro, manifestações em 300 municípios), Aracaju (26 de fevereiro, 30 mil pessoas), Juiz de Fora (29 de fevereiro, 30 mil pessoas), Anápolis (8 de março, 20 mil pessoas), nova passeata no Rio de Janeiro, da Candelária à Cinelândia (21 de março, com 200 mil pessoas), concerto sem discurso em Campinas com 20 mil pessoas, Uberlândia (23 de março, 40 mil pessoas), Campo Grande (24 de março, 40 mil pessoas), Londrina (02 de abril, 50 mil pessoas), Natal (06 de abril, 50 mil pessoas), Petrolina (07 de abril, 30 mil pessoas), Igreja da Candelária, Rio de Janeiro (10 de abril, 1 milhão de pessoas), Goiânia (12 de abril, 300 mil pessoas) e Porto Alegre (13 de abril, 200 mil pessoas).

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março 30, 2009

Intervalo das aulas no Colégio Duque de Caxias, que ficava na Asa Norte, próximo à UnB, onde hoje funciona o Colégio Tancredo Neves. Muito movimento na cantina. Naquele dia, eu estava sentado em uma mesa com Isabela, Bethânia e Marisa, mas nem prestei atenção na conversa delas. Eu tentava pela enésima vez decifrar o código secreto de combinações do cubo mágico que eu sempre carregava na mochila. Mas minha atenção estava toda voltada para os movimentos de Hugo, que naquele tempo tinha os cabelos com corte surfista, compridos abaixo da orelha, lisos e com mexas loiras no estilo que o ator André di Biasi havia colocado em evidência no filme Menino do Rio.

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março 28, 2009

Brasília, 5 de fevereiro de 1984

Querido diário, Hoje começou o meu último ano no colégio. Ano que vem, se Deus quiser, estarei na faculdade. Infelizmente, o dia começou com uma discussão chata envolvendo meu pai e meu irmão. Papai não aceita a idéia do meu irmão estudar teatro e insiste na idéia de que ele faça faculdade de direito. Para me deixar ainda mais nervosa, Gabriel não reage. Aceita a imposição do papai de cabeça baixa, com medo de lutar por aquilo que acredita. Ah, eu não sou assim, não. Desde pequena, sempre impus minha vontade, meus desejos. Fico indignada com a passividade do meu irmão diante do papai. Queria que ele defendesse suas idéias, impusesse sua vontade, mas ele acha que nunca vamos conseguir vencer o machismo do nosso pai. Queria ver se fosse comigo. Adoro o papai, mas jamais abriria mão de algo em que acredito só porque ele não aprova. Ah, mas não mesmo! Gabriel veio me dizer que eu também desisti de ser cantora de rock porque o papai não queria, mas não é verdade. Comigo foi diferente. Eu me desencantei com essa história de cantar e optei por fazer psicologia porque me encantei pela profissão. Em compensação, desde sempre só me interesso por garotos que curtem rock. Se tiverem cabelos compridos, melhor ainda… Gabriel diz não entender como eu consigo me sentir atraída por esses caras. Minhas melhores amigas, a Bethânia e a Marisa, também concordam com ele. O problema é que elas só gostam de mauricinho. Marisa, por exemplo, tem minha idade e já namora há quase dois anos um garoto chamado Horácio, o Horacinho, estudante de direito, filho de um juiz, um perfeito almofadinha, que usa óculos de grau, cabelo engomado e roupa social. Já a Beth é diferente de nós duas: o lance dela é homem mais velho, seja como for. Ela é a mais avançadinha de nós três e a única que não é mais virgem. Já eu assumo: gosto mesmo de garoto com visual de roqueiro. Cabelo comprido, tatuagem, brinquinho na orelha e roupa preta me deixam louquinha! Mas não concordo quando dizem que esse tipo de garoto não é bonito. Garanti a elas que ainda teria um namorado lindo de morrer, que as deixaria com muita inveja.

Como toda adolescente romântica e sonhadora, Isabela (Bela para o papai), dos 13 aos 25 anos, escreveu páginas e mais páginas de diário, o qual, muito gentilmente, ela me cedeu o acesso e publicação de alguns pontos mais importantes. Naquele ano de 1984, a partir de quando eu comecei a lê-los, os diários da minha irmã não eram mais tão inocentes, mas ainda eram decorados com figurinhas, especialmente de “Amar é…”, aqueles com o desenho de um casalzinho pelado. Eu também tive a minha fase de colecionar figurinhas. Ainda guardo como relíquia o meu álbum de figurinhas de Copa do Mundo que vinham nas embalagens do chiclete Ping Pong.

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março 28, 2009

A nossa história começa em 1984, exatamente no dia 25 de janeiro, uma quinta-feira, data marcada na História do Brasil pelos 430 anos da cidade de São Paulo e pelo comício realizado na capital paulista fortalecendo o movimento pela volta das eleições diretas para presidente da República. Em pleno vigor do regime militar, o governador do Estado de São Paulo, André Franco Montoro, havia organizado um grande comício, com partidos de oposição, líderes sindicais, artistas e estudantes, reunidos para defender a campanha por eleições diretas para presidente.

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Prólogo

março 28, 2009

Uma década qualquer, uma época que deve ser esquecida. Um tempo perdido. Assim alguns definem os anos 80, que tiveram início com um Brasil que ainda sofria as conseqüências do golpe militar de 64. A crise econômica e as dificuldades do militarismo agravaram-se no final da década anterior, quando, para conseguir o apoio da sociedade, o então presidente Ernesto Geisel anunciou uma “distensão lenta, gradual e segura” do regime autoritário em direção à democracia. Entretanto, prisões de líderes sindicais da região do ABC Paulista e atentados terroristas no Rio de Janeiro revelavam as grandes dificuldades da chamada abertura política, já no governo João Figueiredo. Ao mesmo tempo, começava a se formar um movimento no Congresso Nacional em favor da aprovação da emenda constitucional que restabelecia a eleição direta para a Presidência da República. A campanha das Diretas Já se espalhava em grandes comícios, passeatas e manifestações por todo o País.

Mas Brasília, mesmo sendo o centro dessa discussão, não se resumia apenas às questões políticas. Aliás, engana-se quem pensa que a capital federal é um local habitado apenas por políticos, diplomatas e funcionários públicos. Brasília é uma cidade marcada pelo sonho e, principalmente, pela ousadia. Milhares de pessoas comuns, cidadãos brasileiros, desembarcaram na cidade em busca de uma vida melhor. Além dos candangos que ergueram a nova cidade, gente de todo o tipo queria encontrar na nova capital do País uma alternativa de vida, enquanto outros que fixaram residência por imposição passaram a captar na cidade algo que justificasse a sua existência. Essas pessoas, marcadas pela diversidade cultural e social, fizeram de Brasília uma cidade com vida própria, que podia até depender do fator político-administrativo, mas que, aos poucos, foi se tornando independente. Nesta cidade, a década de 80 significou também uma grande transformação cultural que alcançou todos os cantos do Brasil e algumas partes do mundo.

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OS FILHOS DA REVOLUÇÃO – A volta da geração coca-cola

março 27, 2009

capa1Para muitos, os anos 80 foram uma década qualquer, uma época que deve ser esquecida, um tempo perdido. Em Brasília, não: paralelamente às principais alterações políticas que o País presenciou entre 1984 e 1989, estes anos significaram uma grande transformação cultural que alcançou todos os cantos do Brasil e algumas partes do mundo. Aos vinte e poucos anos de vida, a capital da república estava vivendo sua fase mais bonita: a juventude. Assim, em meio à campanha pelas eleições diretas e às primeiras bandas de rock candangas despontando para o Brasil, surge a história de um grupo de jovens que representam a primeira geração nascida em Brasília, são os filhos daquelas pessoas que acompanhou de perto a inauguração da nova capital e a revolução na década de 60. Em uma harmônica mistura de realidade e ficção, esse é o mote de Os Filhos da Revolução, romance que, a partir de poucos dias, você poderá acompanhar por aqui.

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